Poeta - Fábio João Rodes de Souza


O MAIOR AMOR DO MUNDO...

Dizem por aí Que o maior amor do mundo é o seu Não fui eu, não fui eu Pois quando se encontraram O clarim e um violão Descobrir Que o amor maior do mundo É o meu, então!

Gosto de todo mundo Com prazer e alegria Gosto de ser feliz Seja noite, ou seja, dia Difícil escolher Qual é a da paixão, O amor maior do mundo É o meu então!...

Poeta em Canavieiras

CAMINHOS DE OUTRORA

Das flores de um jardim Escolhi a mais feliz Não era a bela rosa A quem tanto sempre quis Nas ruas da cidade Espalhei a linda flor Com canções em melodia Fiz meu novo amor

Da Carlota vi as Flores Gravatá e Cajueiro Da Vala fiz um Brejo Com as palmas do Coqueiro Do Mangue fui ao Tôco Na 13 me esbaldei Com o Cacau, fiz belo troco A Prata eu guardei

Alegria de Viver

Distraído certo dia Pus a baixar meu olhar Desviado da atenção singular Algo me fez observar Ela estava tão linda Como bela, estava lá

Não contive tão breve saciar Um desejo salutar De a lembrança envaidecer Vi que estava iluminado Nesse novo anoitecer

Eis que surge na memória O estar de um pequeno lugar Onde a brisa é suave De encantadora e simplória, gente, Com poder de sonhar

Paixões, amores, vitória Num estalar de beijos Carinhos, amantes em glória A ouvir canções a bordejo

A noite a continuar iluminada Longe da rotina similar Ela estava ainda mais bela, Gerando sonhos, Refazendo a vida, pares Indo de lá, acolá Aonde houvesse amores ...A encantar

De um lugar... E outro!...

Vida doce que segue Ícone de luz, ao mundo Vozes de um leve encantar Estímulo ao amor profundo Revela a lua e luar.

SOMBRA E PITANGAS

És do artista, A mais oculta nobreza, És do pobre, A mais doce riqueza, Dos sábios a sabedoria Do homem, A mais pura mulher, Não tens na vida, Um sentido qualquer, Do mundo a mais doce alegria Nos sonhos, És a fonte do amor, Que penetra o ser, Sem causar dor, No surgir de uma melodia És de um poeta, Fonte inspiradora, No palco és cantora, A interpretar simpatia Verdadeira és meretriz, Da vida que um dia quis, Que ao se ver infeliz, Volveu à raiz, Na mais louca agonia No futuro do mês de aquário, Inglório triste erário, Baixou-se ao centro plenário, Um lindo museu mortuário, Num chorar quanto sofria

És de ti, Brancas neves, A todos vem, Enobrece, Uma doce magia Ao Trotar dos pistos, És um sol, Nas teclas, Sois maior, De toda cantoria Entremeio, Um artista pobre, Do ser mulher, És nobre, A citar primazia Do louco poeta, Que diz, Que é na vida, O triste e o feliz, Numa porção de magia És ALMA, Liberdade, AUGUSTA dos sonhos, Uma verdade, Uma ALMA, Uma vontade, A aculturar, Uma cidade, SUELI, musa mestria.

O Conhecido Desconhecer

Vem sorrateiro Com leve refrescar Quase devagar, quase rasteiro Tímido, esconder, sem se deixar notar

Ao tão breve entardecer Logo, claro sem pedir Licença culta anoitecer Abre caminhos sem lhe ouvir

Sem honrar tua grandeza Ao pouco regressar da fonte De onde, ao nascer tua beleza Indagam então, que conte

Que és único, Soberano rei, Do teu, só seu, O mundo Que às vezes forte, Brando, Ou com toda a sua calma Almeja sempre, Um intento, Com qual alta confiança, Ao apresentar-se, Grande és Vento.

ACONTECEU EM UM RETIRO

...”UM NOVO CAMINHO A SEGUIR”.

Sob o monte Verdes campos Frutas Verdes de um pomar Casas lindas, tão vazias Mais meu Deus estava lá Ponte estreita sobre o rio Havia glória no lugar

Apesar do abandono Não desprezas os filhos teus Com a chegada do teu povo Tudo aconteceu Veio a cura A fé prevaleceu

É o milagre É o amor É a verdade Que vem em nome do Senhor

Como as flores de um jardim Nos fez crer nesse momento O quanto és Pai, ó meu Senhor A nos dar o livramento Com tua presença, ó Pai Foram embora os tormentos.

A arte e o artista

Sou um artista, solto na pista de dança
a valsar,

Sou uma águia, de penas douradas e me ponho
a voar,

Sou o espinho, daquele caminho, no teu
calcanhar,

Sou um poeta, escrevo nas linhas, pro mó
de versar.

O CÉU DE UM POETA

“O mundo dos Loucos”

A inconveniência dos “LOUCOS” Desfaz a autolatria do “Rei”, Ainda os loucos, como tantos poucos Girogirando entre os mundos, fez!

Do fátuo pergaminho Onde escrita não se lê, Desaferram dos sonhos, Príncipes, Com sede de vencer

De tanto escandescer o “VERBO” Em sua frases dulcamaras, Desmontam o que era feito céreo Moldando suas cachimanas, “TARAS”!

São todos uns escalafobéticos! Como a filosofice do nascer, Nos campos, nas praças, uns buzaretes Que avatam, bossa, Aquele que vê

Quando então olhardes o refletidor Inclinarás olhos ao tempo fugaz, Então verás que também és um “LOUCO” Um dos tantos, A MAIS. Quem não tem um pouco de louco nesta vida, Não viverá jamais!

VIDA DE UM LITERATA

Vivamos constantemente o livro, Intensamente as páginas em branco, sugira pacífico, A tinta, Para divulgar em palavras, Um tanto, Tanto, Tanto, Tanto. Um amor.

Dos CONTOS

O DEDO E O ANEL

Maria Kitéria, árvore formosa de vigor petulante, casca dura de folhas secas e raízes semelhantes. Dois braços, que de longo se abrevia vitalidade. Dois apenas, que u touro em cada poderia suportar. Com esforço algum a se apresentar. Seus longos laços de cabelos com o vento a balançar, deixavam reluzir o brilho, do sol a balançar.

Zé Mineiro, companheiro salutar, moço moreno, dono do lugar. Querido por seus vértices e simplório encantar. Bacharel no tempo, aos círculos caminhar, não tinha nunca alguém a te ouvir, a não ser velhas gotas orvalhar. Usava de a manha pergaminho letras rabiscar. De tais tamanhas estas com difícil apreciar. Mais não eram ruins se boas não me sabiam contar. A estória que é verdadeira, por Kitéria apaixonar. – “Fiz uma linda canção pra ela!” – Não cansava de citar.

Kitéria, Kitéria, Kitéria! Por ti paixão cresceu, Maria doce Kitéria Dona do coração meu.

Sou absoluto menestrel De estrela parecer, Da lua em pleno céu Ao orgulho pra te ver

Num conjunto melodia A fauna fiz ouvir, Alvorecer do teu dia Um coração a sentir...

De tanto era esta paixão que o Zé já não mais ouvia sua voz interior. Já ela tão aberta em pensamentos, de tristeza não se continha. Nunca daria, o certo acontecer. Kitéria já não era arvorezinha, ela estava a envelhecer. Monumento centenário de histórias a contar, espécie tão rara, só se encontra lá, e, duas dezenas de idade o Zé ia completar, foi quando surgiu caçador valente abordar, com dois canos de ferro na madeira encaixar. Ele se viu perdido, não saiu do lugar. Foi então, quão esperteza, pôs-se a cantar:

Caçador, caçador... Triste será o meu fim, Por que fará isso caçador. Tenhas pena de mim, Que sou arrimo triste De uma família sem fim! Deixarei a minha amada Tão só ao amanhecer Qual será a alvorada Desse meu entardecer, Sou bicho tinhoso, Não mereço fenecer...

O Caçador tão atento, não viu acontecer. Como forte era o vento, que veio lhe abater. De queda foi ao chão, na raiz se enrolando, era Kitéria apaixonada, seu amor ia salvando. Enlaçou seu amado, quanto ao caçador viu partir, Zé Mineiro tão apaixonado, cantou: - É bom estar aqui!

Sou uma criatura feliz Se ao teu lado, vejo o céu, Somos parte de uma estória A qual lembra, O Dedo e o Anel.

Discurso

Ilmos. Srs.: Membros da mesa diretora, confrades, autoridades e convidados presentes. Boa noite!

Agradeço as palavras de amizade e carinho, com as quais meu padrinho nesta noite, veio apresentar-me a todos nesta casa.

- Não é tão fácil estar presente e falar às pessoas, que ora estão nesse lugar. A humildade me faz sentir receoso para divulgar as milhas linhas, as quais montei com cautela e muita simplicidade. Esperando agradar a todos, tudo aquilo que sou, vejo, sinto e até mesmo penso, deve existir!

Meu nome é Fábio João rodes de Souza, nasci à 23 de junho do ano de 1969, na Rua José Marcelino (antiga Rua do Couro), mais foi na Rua Augusto Severo (antiga Rua de Carlota) que passei toda a minha vida, nessa cidade de Canavieiras. Meu pai chama-se Olivar Miranda de Souza, técnico em Contabilidade (sua profissão) e músico, minha mãe Lindinalva Rodes de Souza (do Lar). Sou o primeiro dos onze filhos do casal.

Foi nas escolas Antônio Carlos Magalhães, Grupo Escolar “15 de Outubro” e Escola Senhora Santana, que fiz o primário. O colegial, concluí no CEOB (Colégio Estadual “Osmário Batista”), casa de ensino, com a qual me identifico e tenho muito apreço e carinho.

Na política me vejo traçar as linhas ideológicas do PCdoB por mais de 20 anos, sempre buscando os ideais na luta do povo trabalhador. Contrariando ao meu partido, mais somando e até mesmo multiplicando os meus conhecimentos políticos me inclino aos traços políticos de Ulisses Guimarães (in memorian), Tancredo Neves (in memorian), e Aldo Rabelo. Sou fã incondicional de Che Guevara.

Na área profissional, exerci as funções de Escriturário, Auxiliar de Serviços Gerais no CCB, Garçom, Barman, Comunicador da antiga Voz Globo, e Arquivista pela Universidade de Santa Cruz. Atualmente exerço as profissões de montador de móveis, a Antenista de Sistema Analógico de Tv e Guarda Municipal (como funcionário público).

“No futebol sou uma Estrela Solitária, no samba sou uma Águia, na vida sou um poeta, o meu coração é minha Pátria.”

Nos esporte participei ativamente como 1º Secretário e jogador do Internacional Esporte Clube, Esporte Clube 3X, Esporte Clube Cruzeiro de Futebol de Salão e Presidente do Farjo Clube de Futebol de Salão Feminino.

Exercendo funções como voluntário colaborei com a Pastoral da Criança de 1985 à 1994, como Líder e Coordenador Comunitário; fui membro do Coral Dom Bosco de 1981 à 1992; pesquisador na campanha do Soro Caseiro, na cidade de Itabuna, pelo Instituto Brasileiro de Análises e Estatísticas - IBASE do Rio de Janeiro; membro temporário da Cruz Vermelha, em sua passagem por Canavieiras; e voluntário da saúde nas campanha de vacinação infantil na sede e interior do município de Canavieiras.

Adepto da arte e da cultura; incentivei a capoeira, o teatro na escola, o carnaval de raiz. Com o apoio de uma colega de arquivo, divulgamos e contamos um pouco da história de Canavieiras, através de amostras de livros, jornais e fotos antigas.

“Houve um tempo, em que vivemos a glória, Entre tantas riquezas e belezas naturais, Um tempo em que se acreditava na força do trabalho, Como também na megera preguiça.

Tempo esse, em que todos nós, éramos iguais, De diferenças ingrimes e imagens distintas, De cores fortes e traços finos Similando às grandezas do tempo que passa...”

Foi em 1986, ainda cursando a 7ª série do colegial, que em uma brincadeira de estudante adolescente me inscrevi no IV concurso nacional de poesias. E qual não foi a minha surpresa, a classificação obtida em meio a mais de 5.000 inscritos, com o poema "Oh! Pomba". Poema este que fazia uma alusão à liberdade de expressão, bem como, o amor à vida.

Vale ressaltar, que este foi o ponto de partida para o meu ingresso na vida literária. Sei que ainda não alcancei os 2ºs parágrafos das mentes brilhantes da literatura como às de Cora Coralina, Machado de Assis, Carlos Drumond de Andrade, Clarice Linspector, Lima Barreto, Jorge Amado e Ourivaldo Messias dos Santos.

Ofuscado pelo desenrolar das pequenas letras, que se transformaram em palavras, criando frases, em uma oração frenética de romance, e, uma crítica alucinante às minhas saudades, surgiu os versos, que agrupados na mais provável ordem, fêz-se aflorar meus escritos, meus pensamentos, meus poemas. Às vezes romântico, às vezes crítico, às vezes lunático ou imaginário, vou tecendo meus ditos em textos, com a segurança de estar anunciando aos que lêem, "Que nos falta algo, por termos tudo, que os olhos deixam de enxergar quando existe uma barreira à sua frente, a qual não nos possibilita enxergar o escuro que se aproxima, mas, que essa escuridão deixará de existir, no momento em que esses olhos forem abertos"!

Machado de Assis, exortando seus companheiros fundadores da Academia Brasileira de Letras, em seu primeiro discurso disse em 20 de julho de 1897: "Passai aos vossos sucessores o pensamento e a vontade iniciais, para que eles os transmitam aos seus, e a vossa obra seja contada entre as sólidas e brilhantes página da nossa vida brasileira". Trecho do discurso de fundação da ABL.

Assim o fez, Ourivaldo Messias dos Santos - Tenente Messias, que nos deixou um legado histórico literário para darmos continuidade aos seus propósitos, e ao mesmo tempo, resgatar a dignidade entre os homens, observando a luta contra o racismo, a discriminação racial e a discriminação sócio-político. Em suas linhas, mostra-nos a beleza cultural e a arte de viver o conhecimento sobre a vida.

Ele nasceu no dia de natal do ano de 1919, na Rua Benjamin Constant (antiga rua das flores), seus pais: Vicente Ferreira dos Santos e Hilda dos Santos.

Fora para a Bahia (Bahia - forma utilizada em outros tempos para se dirigir à capital do estado, hoje Salvador) ainda na adolescência, com seus pais e irmãos, dentre eles, o sargento José Messias dos Santos. Prestou seus estudos no Instituto Baiano de Ensino e no Colégio Hugo Baltazar da Silveira. Foi policial militar chegando ao posto de tenente. Na polícia militar se especializou em técnico de rádio-telegrafia.

Ainda na Capital casa-se, porém, algum tempo depois sua esposa vem a falecer, o deixando viúvo. Retorna à Canavieiras, onde novamente se casa, desta vez com Florípedes Gomes Lima (Dª. Ninha), com quem teve três filhos: Hilda Suely, Cecília Augusta e Emmanuel Cirineu. Aqui fundou a primeira escola técnica em rádio-telegrafia. Foi candidato a vereador por duas vezes, uma das quais ficou como suplente; também exerceu a função de delegado da polícia em Canavieiras, bem como, nas cidades de Camacã, Santa Cruz da Vitória e Firmino Alves.

Amava a literatura e tudo o que falava a respeito da cultura afro-brasileira, apreciava samba de roda, capoeira e blocos afros. Por gostar de vestir roupas brancas, às vezes confundido era, como pai-de-santo, mais verdadeiramente ele era devoto de Santo Antônio. Exaltava em seus poemas a sua terra natal, as divindades afras e a cor negra. Era ele, um grande defensor da liberdade étnica.

Gostando de política, era correligionário de Osmário Batista e fã incondicional de Afrânio Peixoto.

Possuía diversos diplomas de entidades as quais pertencia, certificados de vários cursos, além dos certificados de participação em concursos de poesias em todo o país.

Foi colaborador do Jornal "A Trincheira", da casa dos sargentos do Brasil e do Jornal "TABU" de Canavieiras. Dentre suas atividades literárias, participou da Antologia de Contos Brasileiros, da Shogun Arte, Rio de janeiro, 1988; Lume, Antologia Poética da Editora Abaeté, de Salvador-BA, 1989; Poesia Nordestina Kelino Souza, de João Pessoa - Pb. Também fez parte da Enciclopédia Brasileira de Literatura Contemporânea, volume I, Organizada por Reis Souza, Rio de janeiro, 1993.

As crônicas que escrevia para diversos jornais, inclusive o TABU de Canavieiras, eram de cunho hitórico-social.

Esse bom filho, bom esposo, bom pai e bom homem, nos deixou saudades aos 76 anos de idade. Partiu do seio literário em 05 de novembro do ano de 1995.

Mais saiba, Ourivaldo Messias dos Santos, que esteja onde estiver, verás os frutos do seu trabalho, estamos aqui para resgatar e restaurar a cultura, a arte e o artista. E que, cheio de seus conhecimentos sequenciaremos as suas obras.

Que Nosso Senhor, Deus, o tenha em seus braços.

Os meus agradecimentos são direcionados a Deus, meus pais, minha esposa e filha, irmãos, tios, primos, sobrinhos, amigos, professores, colegas de trabalho, aos meus confrades que me estão dando a oportunidade de desenvolver meus conhecimentos e poder divulgá-los, a ALAC por me deixar fazer parte dessa família.

Perdido entre Sombras e Sonhos

Alguém passou em frente à minha janela E para ela olhou, quem foi... ...Você!? Olhando por entre ela, Nada viu, não havia nada pra ver!

A penumbra era tão densa Que meu olhar se perdia, em meu olhar, Um raio luminar de forma tão intensa Por ela penetrava, e me ver não conseguia admirar. Talvez lembrar tudo, não consiga, Logo me pude perceber que o tempo houvera de chegar.

De novo, alguém passou em frente à minha janela, E novamente para ela olhou, quem terá sido... ...Você!? Olhando por entre ela Nada percebeu, nada havia a perceber!

Já não havia penumbra, e meu olhar já podia ver A luminosidade se enfraquecia, daí já não me pude conter, Ainda nada havia de me lembrar, Percebi, então, que o tempo já havia chegado. Logo, alguém passou em frente à minha janela, E eu estava a seu lado.

C A L A M I D A D E

“ Choro do Tempo”

Surge o som da aurora febril, Como vendaval um tanto arredio, Com simples possuir, Doloroso anil Eis que embalança a pétala seca, Do bosque completo do cheio vazio Acinzentado pseudônimo do custo sombrio Como velas soltas a dar arrepio. Surgem então, as gotículas meeiras A multiplicar mil, Com tantas parceiras, Que alguém jamais previu.

Surge do som incauto dolor, Que chora por todos os lados, A saciar a dor, Em uma série de ermos, estouros, À lona desregrou Mostra-se tão consistente, Como da casa o batente, Que o sonho quebrou Ao cantar imperdoável tempo, Adoça com triste alento, A que tudo, os faltou Horas forte, Também a fraquejar, O que importa? Se tudo o que tinham, arruinou!

O motivo foi ela

Num canto duro da janela, Vendo a vida passar, Depois da longa tempestade Sem moldar meias verdades, Voltas a lavrar onde tudo é tão feio, O que ficou pelo meio, Pois a levantar! Mais na manhã seguinte Com doce ar de requinte, Recomeça a sonhar

Foi assim que se seguia, Depois de muitos dias, Sem ter mais o chorar Homens mulheres e crianças, Sem perderem as esperanças Pôs-se a vida renovar Canta então, alegre colibrí, Na toada bem-te-vi, Anunciar nova aurora Flores cheias de bossa Enchem do bosque um jardim Preenche ao céu brancas nuvens, A somar juventude Na vida futura que está por vir Ressurge Brasil camponês, Sonhando tudo que fez, Com mais nobre altivez, Por um tempo novo, Cortez.

DESTROÇOS

Sensíveis Sem sal, sem sol Amáveis Perdidos, ...a sós

Credos Sem piedade, dó Fiéis Envoltos. ...pó

Sabem-se lá Da algiva voraz Criaram-na Detrás

Quantos cruéis Sucumbem capaz Excluídos... Em guerra e paz

Sensíveis, credos Ignome feroz Apiedas sombras Fronte algoz

Fábio João Rodes de Souza
20/10/2009

C R U O R

A majestosa ser igual
Examina a utópica ventura lúdica das sombras
Ao menos Cortez impinge
Soberana luz
Distinta forma prevê sonhos irreais

Determinada a formula
Pigmenteis tosco tom
Molda a face Envoltando semelhantes linhas
Traceja rumo, liberando pontos a margear o trauma
Sob forma voraz, aniquilaste

Tenaz arbítrio
Semeias ao tempo
Inimaginando igualdade Tal qual pássaros abutres
Que ao sentir o aroma
Avançam ao umbilical corte
Reveza assim o futuro a importar o passado

Pública vida que o tempo fez ruir
Retoma a chegada

Sem ao menos fugir dos bravios insensatos
Que desabonam os reis da longínqua terra

Política infiel
Que domina o leito de seios avivados
Por onde corre as lágrimas de uns tanto
Que superior, insubordina nefastamente a prole

Mais o mundo é desse jeito, desigual
O mecanismo de sobrevivência
Influencia o fraco dormente
A força da cor sobrepuja a indolência
E a conquista das formas
Facetará a consciência
No avançar de históricas raízes.

Fábio João Rodes de Souza
26/10/2009

Preâmbulo

Todas as vezes que me proponho a definir as linhas imaginárias do confabular com os seres, surge em meu semblante a ruga da preocupar literar. Nós, “Os Loucos” do juntar palavras, conseguimos formá-las em conveniente e simplória consistência do êxtase do criar. Os poetas são meros fabricantes do sentimento singular, cada qual com sua particularidade e literatura comum. Há quem os entendam! - Assim sou, aqui estou, e, para lá vou seguindo, num desenfrear sem tamanho, até alcançar!

A Costureira e sua velha Máquina

Sentada em um banquinho de madeira Sob a luz de um pequeno lampião a gás Lá estava ela a passar o tecido Na sua versão novíssima de manivela

Não sei bem se era uma xenil, Uma carsa ou um cetim Sei que era de cor claríssima Que aos meus olhos, fazia-lhe lacrimejar

Mas a maestria que lhe cabia Com a agulha e a linha na mão Ia tecendo o mais novo modelo de Paris Fruto e fonte da imaginação

Ali sentada, depois de alinhavada, À máquina levava para os últimos retoques A altura do peito, em cima de uma mesinha Estava a máquina, Não tinha marca, quase já não tinha cor, Quase já não era nada

O seu ganha pão, trabalhada com as mãos Como se fosse massa de modelar A pequena artesã, com todo seu afã Começava a costurar E dali saía a mais linda arte Obra entre uma e outra Orgulho daquele lugar.

Nuvem Fria

Maria viu o homem chorar pela lua Deitado na rede Fumando cachimbo De costas pra rua

O homem chorava De dor soluçava E Maria Benedita Então, só espiava

Debruçada na janela Lá estava ela Com olhos de lágrimas Perdidos entre elas

O céu então tristonho Com um cinza enfadonho A cobrir as estrelas De um sonho

Mais naquele dia Como se fosse pela magia O vento soprava sem cessar E a lua então surgia

O homem na rede deitado Maria Benedita ao seu lado A lua, as estrelas, o céu e o vento, Tudo estava arrumado

Nostalgia de um Só... ...ol!

Havia um tempo Em que eu era apaixonado Pela cultura e arte do nosso povo, Sua simplicidade invadia minh’alma, A alegria contagiava meus sonhos e A nostalgia embalava minhas noites.

Ao palco, bem ao fundo, Surgiam seres dotados de amor, paixão Que tão poucos podiam exprimir. Foi nesse tempo, naqueles festivais Que então percebi O quanto importante eram os personagens.

Ah! Quando me recordo dos festivais, Lembro-me dos Campos, dos Mirandas, Dos Souzas, dos Silvas, dos Coutinhos, dos Carvalhos, Dos Reis, como tantos outros.

Embevecido pelas lembranças, Ainda me lembro dos carnavais, Quantos dias... Nem mais me lembro. Só sei que eram radiantes dias Onde a alegria invadia nossas vidas E o amor desencadeava laços de família. E havia culpados, E iguais culpas... Destinadas à pessoas bem simples, humildes e Cheias de Porecas na alma.

Fases em nossas vidas Não devem ser desprezadas, Pois a partir delas podemos ter a certeza Que nos falta, hoje, Algo de muito importante Que ficou pra trás.

Certo Araújo, Lembrou-me que no palco, Bem, que no palco, Somos só, e sendo só, somos muitos, Pois de nós depende a alegria e a vida de todos.

Que volte para nós Os grandes festivais de músicas, Poesia e arte, Para reviver o passado, Amar o presente e Sonharmos com o futuro De nossa gente.

Da primeira cidade ao lixo

Houve um tempo em que o mundo estava limpo A floresta era viva, o ar era puro. Os animais viviam felizes em seu habitat E os homens surgiam tendo um tudo.

Seres predominantes queriam ser donos do mundo, Pensavam dominar o céu, a terra e o ar. Donos das águas poderiam ser Mais não adianta querer crescer Tendo com tudo acabar.

Veio então a usufruir da inteligência Criar coisas e moradia, Unidos ou separados em grandes colônias Plantavam, pescavam e colhiam.

Criaram cidades e grandes aglomerados O resto e ratos apareciam, As ruas livres de sujas sumiam Da primeira cidade o lixo surgia

Logo não foi difícil Lembrar Isso às ruas vai Insultar Xepas por todos os lados e bichos a Xeretar Ora, de nada a se Orgulhar.

Diferença dos Mundos

“Houve um tempo, em que vivemos a glória, Entre tantas riquezas e belezas naturais, Um tempo em que se acreditava na força do trabalho, Como também na megera preguiça.

Tempo esse, em que todos nós, éramos iguais, De diferenças íngremes e imagens distintas, De cores fortes e traços finos Similando às grandezas do tempo que passa...”

Canto e Encanto

Salvo é a toada Que vem da balada Que vem da tocada simples Da flauta de um MAESTRO.

E nossa gente De tão sorridente Acompanha contente O seu MANIFESTO.

A Lyra havia Janeiro surgia O povo aplaudia Panas e Dangas INCONTESTO.

Foram encontros Entre tantos contos Que perderam encantos Sem essa magia, PROTESTO.

Ao mestre com carinho

Lá, ao longe! Ouve-se um toque de clarim, Ao cair da noite, tudo silencia, E fecha-se a porta atrás de mim. As ruas escuras de calçadas frias, Casas abertas de janelas vazias. Na noite do preâmbulo, Ouço um grito, Em meio à multidão de partido coração, Um colo aflito.

Ao chegar da madrugada Cobertas de mascaradas. Uns tons em si bemóis, Com o seu rabo de cavalo Exaltando a melodia, O guerreiro sopra sobre os lençóis.

De Vila à Cidade

(Imperial vila de Canavieiras)

Imperial vila de Canavieiras Linda cidade brasileira

Esta terra é boa demais Venha conhecer, venha cá pra ver A cidade das areias brancas Onde se paga muito pouco pra viver.

Venha sentir a diferença Da natureza e da capital (do caranguejo) Conhecer uma nova terra Uma terra colossal

Tem cacau, tem coqueiros Tem araçás, piaçava e dendezeiros Tem frutos do mar, barcos a pescar E só depende é do homem trabalhar.

Que coisa linda! (Ah! Que coisa linda) Receber uma alegria tão afável Vejam como é bonita Nossa gente tão amiga e amável Aqui se plantando tudo dá E só depende é do homem cultivar!

A mata é verde e o mar é azul Temos de tudo na Princesa do Sul

RAP MANEIRO DA MATEMÁTICA

Matéria que seduz Propriedade e multiplicação Adição que é luz Decimal, numeração Unidades, dezenas, centenas Milhar e milhão Números, leitura e ordem Absoluto seu valor, então! Eles são distintos Antes e sucessor Operação com algarismos findos Do crescente, o decrescente pôr.

Armei e efetuei, depois calculei Romanos na adição fechei Comutei, associei e neutro fiquei. (Que coisa, heim!)

Usei parênteses Cochetes, chaves Potência reduzir Vi muita coisa surgir. Com o quadrado, cubo O dobro e o triplo Uma conta conjunta resolvir... Com múltiplos e divisores Eles fatorei Raiz quadrada e radiciação Nas exatas me encontrei.

OITO OU OITENTA

Por entre as veredas do tempo, cintila o aroma das pétalas orvalhadas de sereno, cujo sol ofegante faz aguar um suor febril. E vedes assim, então, toda uma grande festa de amor.

Sorte da flor que desabrocha. Pois, o ventilar do dia espalha teu semêm por entre os campos, num jorro frenético de prazer florescer. Cinco tribos novas surgiram, a semear caracteres de seres animados na presunção da vida e do criar. Cada qual, como uma distinta árvore, estas, com suas folhas, seus frutos, que a madurar se agigantam em sabor, transmitindo o desejo de continuar o ciclo da paixão desenfreada do estar, do querer e do crer que o amor é tudo.

E, nos campos, que se faz mundo, a vêem semear. Grato és o tempo, que fez germinar a semente, a crescer fez frondosa árvore, que cobriu em sombras a flor. Que regada pelo orvalho ao receber o calor do divino sol, cede suas pétalas para que o nobre senhor, vento, espalhe suas sementes e as coloque em todos os cantos, para que se faça conhecer sua origem.

Assim o é minha amada ALZIRA, que com todos os seus dons, viu passar todos os seus sonhos, e ao sonhar foi galgando as dificuldades ora pertinentes, mas, com grandiosa maestria, como imponente matriarca, venceu-as, transmitindo realidade.

  • Alma
  • Luz
  • Zelosa
  • Imperatriz
  • Rainha
  • Amorosa

POETA

Fábio João Rodes de Souza

Endereço: Av. ACM, 926 – Centro – Canavieiras - BA - CEP: 45.860-000

Tel.: (73) 8106-3132 ou (73) 9984-4831

E-mail: fabinhocnv@msn.com – fabinhocnv@yahoo.com.br